Territorial Pissings
Essa porra dessa internet é muito bacana, né? Fácil de pesquisar tudo, saber um pouco de tudo e muito de nada, encontrar as coisas, as pessoas queridas, as não tão queridas, desconhecidas que não encontraríamos nunca anos atrás. Enfim, dá pra fazer tudo nessa joça.
Tenho dois blogs, uso muito e-mails tanto em casa como no trabalho e MSN (só em casa) eventualmente. Então converso muito com neguinho (a) pela web mesmo. Principalmente em horários fora da hora da etiqueta (depois de 22h), quando fica chato ligar para as pessoas, eu acabo me expressando melhor por e-mail mesmo. E também tem o lance da conversa descompromissada. Quantas pessoas você vê online no MSN altas horas da noite e jamais pensaria em ligar ou falar com elas caso elas não tivessem ali, onlines? Acho isso muito bom, já reforcei, renovei e cultivei várias amizades nesse esquema. Muito legal a tal da internet.
Algumas coisas, porém, eu não acho legais. E confesso, aqui, que sou uma das maiores presas e vítimas desse mundo virtual onde temos tempo, espaço e liberdade para desenvolvermos nossos raciocínios – corretos ou não – numa linha de pensamento em que dificilmente você acaba não sendo agressivo, arrogante, direto, excessivamente sarcástico e irritante.
Nesses últimos tempos, porém, acho que às vezes passo do ponto. Já me desentendi com vários amigos e amigas por conta de termos meio agressivos que eu usei ou que usaram comigo na internet. Também já fiquei extremamente magoado e sentido com coisas que me disseram com uma frieza siberiana pela web. Ou já me expressei de forma tão cruelmente precisa e verdadeira com outras pessoas pela internet que elas, tempos depois fui descobrir, ficaram magoadas comigo. Às vezes até mesmo a falta de resposta ou a expectativa que as pessoas têm em cima de uma resposta sua à altura daquele e-mail incomensurável que ela mandou são motivos de atrito.
Estamos vivendo um verdadeiro redirecionamento dos meios de comunicação. Telefone virou um detalhe. É mais um deles apenas. E longe de ser o principal. MSN, e-mail, redes virtuais (não sou fã delas, nem Orkut tenho), SMS, twiter (desse eu passo também), blogs, sites. Caralho. Muita nerdice. Não dá para lidar com tudo isso ao mesmo tempo.
Conheço gente que terminou relacionamento pelo MSN. Outros já se enrascaram porque deram resposta atravessada pelo SMS. Um simples “te ligo já” pode ser entendido de maneira diferente pelo destinatário da mensagem dependendo da TPM delas. Se alguém diz que tá com saudade de você (amigo, amiga, etc), é sinônimo de crise fraterno / familiar / sentimental você não responder na mesma moeda.
Não sei ainda lidar com minhas raivas cegas diante de provocações, de maus tratos e de grosserias que me falam - quer dizer, digitam. E reajo à altura imediatamente. O pior é que um mesmo fator é bom e ruim nesse novo ambiente comunicativo: o tempo que a gente tem para raciocinar. É bom por que podemos dar uma resposta elaborada, argumentar, pesquisar. Mas é uma merda porque a gente faz de qualquer provocação idiota ou resposta grosseira uma celeuma, uma chateação sem fim.
Parei para pensar, num exercício de autocrítica. Já briguei com um amigo que mora na Espanha, pelo e-mail. E fiz as pazes pelo MSN. Já esculachei pelo e-mail uma menina que conheci pelo blog, e-mail, telefone, MSN e depois pessoalmente. Já briguei com um outro amigo gayúcho várias vezes pelo e-mail. Uma outra que ficou me chateando pelo MSN outro dia eu peguei preguiça de conversar. Até mesmo telas de comentários num outro blog que tenho (http://www.bolaetudo.blogspot.com/) viraram espaço para trocar farpas e venenos do mais estrondoso furor – nesse caso, porém, como são 19 escritores, uma dinâmica mutante e o tema futebol como prato principal, é mais do que compreensível.
Um outro amigo aí, nessa onda de provocar e tratar amigos com palavrões e xingamentos, consegue me tirar do sério toda vez que eu tento estabelecer alguma tratativa de negócios que temos em comum. A maior crise de relacionamento com seres humanos que tive na minha vida foi decorrente de mal-entendido que tomou proporções estratosféricas via blog, e-mail, sms e recados ameaçadores no celular. Ou seja: as pessoas se afastaram de mim sem nem sequer conversar comigo. A briga foi virtual, mas o rancor, o ódio, as mágoas, tudo foi bem real. Todas as partes envolvidas sentiram.
Seria um doido varrido virtual? Estaria eu sempre errado? E todo mundo sempre certo? Acho que não. Nem tanto ao céu como nem tanto à terra. Acho que todo mundo passou, passa e ainda vai passar por isso. Mas uma lição que eu tenho tirado ou tentado tirar – porque não consigo ter frieza para aplicá-las sempre – é: se você tá com muita, muita raiva de uma resposta babaca que te deram, tente, pelo menos, não responder na hora. Vá tomar um café, vá beber água, feche a janela do e-mail ou do MSN ou do site. De repente você consegue ignorar isso e deixar quieto. Eu dificilmente tenho sucesso nessa missão, mas juro para vocês: vou tentar ser mais legal e menos irascível no mundo virtual. Porque isso tá me deixando insuportavelmente chato também no mundo real.
Sem mais para o momento.
Atualização das 22h39: acabei de ser atacado mais uma vez por um amigo meio implicante. Tomei uma soda limonada e comi um salgadinho antes de responder, por mais que meus dedos tivessem coçando para dar uma resposta à altura da agressão gratuita. E consegui responder, pelo menos, educadamente. Não é o ideal - da próxima vez, vou tentar simplesmente não responder. Mas é uma evolução.























